Caracteristicas Químicas
Galera da Erva: ASPECTOS QUÍMICOS DA ERVA-MATE
Aspectos Químicos da Erva-Mate
Caracterização Química:
A Ilex paraguariensis pode
ser apreciada sob o aspecto químico bromatológico ou como matéria-prima de
vários subprodutos. Como foi visto, os indígenas a utilizavam por conhecerem
suas virtudes, como aumentar a resistência à fadiga e reduzir a sede ou a
fome.
As investigações químicas relativas
à erva-mate iniciaram-se em 1836, constatando a presença de diversas substâncias
resinosas, matéria corante amarela, ácido tânico, etc. A identificação do
principal alcalóide, a cafeína, ocorreu em 1843. Em 1848 foi descoberto o ácido
do mate – o ácido café-tânico, já conhecido das sementes do
café.
Em 1944, foram identificados como
constituintes da erva mate os seguintes compostos: água, celulose, gomas,
dextrina, mucilagem, glicose, pentose, substâncias graxas, resina aromática
(formada por uma mistura de oleína, palmitina, lauro-estearina e um óleo cujas
características muito se aproximam da cumarina), legumina, albumina, cafeína,
teofilina, cafearina, cafamarina, ácido matetânico, ácido fólico, ácido caféico,
ácido virídico, clorofila, colesterina e óleo essencial. Nas cinzas encontram-se
grandes quantidades de potássio, lítio, ácidos fosfórico, sulfúrico, carbônico,
clorídrico e cítrico, além de magnésio, manganês, ferro, alumínio e traços de
arsênico. A cafeína, teofilina e teobromina são três alcalóides, estreitamente
relacionados, encontrados na erva mate e são os compostos mais interessantes sob
o ponto de vista terapêutico. O teor de cafeína na erva atinge em média 1,60%
enquanto que nas infusões o valor médio é de 1,10%.
Os principais componentes da
erva-mate podem ser associados nos seguintes grupos:
- Polifenóis – Flavonóides: em
geral constituem 20% - 30% da composição da erva-mate, são solúveis em água,
incolores e conferem o gosto adstringente ao mate. Sabe-se que a qualidade da
erva-mate beneficiada é positivamente correlacionada com a concentração de
flavonóides. A alta concentração de materiais polifenólicos conferem
excelentes características químicas a erva-mate. Os principais flavonóides
encontrados na erva-mate são: a rutina, a quercetina-3-glicosídeo e
canferol-3-rutinosídeo.
- Alcalóides: a cafeína, teofilina
e teobromina são três alcalóides, estreitamente relacionados, encontrados na
erva mate e são os compostos mais interessantes sob o ponto de vista
terapêutico. A riqueza em alcalóides varia com a idade da planta, diminuindo
com aumento desta.
- Taninos: a presença de
substâncias tânicas, responsáveis pela adstringência (aroma) da erva-mate, é
conhecida deste o final do século, podemos encontrar: ácido clorogênico, ácido
3,4 dicafeoilquínico, ácido 3,5 dicafeoilquínico, ácido 4,5 dicafeoilquínico,
ácido 3-cafeoilquínico, ácido 4-cafeoilquínico, ácido
5-cafeoilquínico.
- Aminoácidos: podemos encontrar:
ácido aspártico, ácido glutâmico, glicina, alanina, triptofano, cistina,
arginina, histidia, lisina, tirosina, valina, leucina, isoleucina, treonina,
metionina e asparagina.
- Vitaminas: entre as vitaminas
presentes no mate temos: vitamina C (ácido ascórbico), vitamina B1 (tiamina),
vitamina B2 (riboflavina), ácido nicotínico, vitamina A, ácido fólico e
derivados do ácido pantotênico. Os teores vitamínicos dosados na infusão ficam
reduzidos , na melhor da hipóteses, a cerca de 1/30, quando comparado com a
erva-mate, que não é a porção comestível do produto.
- Componentes Voláteis: presente no
óleo volátil, cujo teor já foi relatado por Peckolt, em quantidades reduzidas
(0,001 a 0,005%), de coloração amarelada, cheiro agradável, que traduz o aroma
característico do mate. Como constituintes do óleo volátil podemos citar:
ácidos graxos, ácido fórmico, ácido acético, ácido propiônico, ácido butírico,
ácido valeriânico e ácido capróico. Um total de 196 componentes voláteis forma
identificados no óleo volátil, muitos provavelmente são resultantes da
degradação térmica dos carotenóides, ácidos graxos, degradação hidrolítica ou
formados pela reação de Maillard, durante os processos de secagem e
torrefação.
- Componentes Minerais: as
concentrações de minerais são específicas não somente para a espécie, idade e
tecido, como também dependem do ambiente. Diversos fatores controlam o teor de
minerais nos vegetais, principalmente o genético.
- Saponinas: são substâncias
glicosídeas com a propriedade de, em soluções aquosas, provocar a formação de
espumas. Devido à redução da tensão superficial apresentam ação detergente e
emulsificante. É o composto da erva-mate responsável pelo índice de amargor e
espuma do produto.
- Clorofila: é responsável pela
coloração da erva-mate durante o processamento da mesma.
- Carotenóides: constituem apenas
0,03 – 0,06% da erva-mate, mas são importantes na formação do aroma. Estes
compostos incluem: caroteno, luteína, zeaxantina, violaxantina e
outros.
- Lipídios: a presença de ácidos
graxos insaturados derivados dos fosfolípidios é significativa na geração do
aroma da erva-mate. Principais ácidos graxos – ácidos palmítico, oléico,
linoléico, esteárico, araquídico e palmitoléico. Podemos identificar também
uma resina aromática (mistura de oleína, palmitina, lauro-estearina e um óleo
cujas características muito se aproximam da cumarina).
- Ácidos orgânicos.
- Proteína.
- Celulose.
- Lignina.
- Enzimas.
COMPOSIÇÃO MÉDIA EM 100
GRAMAS DE ERVA-MATE
|
Composição Média (100
gramas) |
Valor
Mínimo |
Valor
Máximo |
Valor
Médio |
| Umidade |
5,36 |
9,80 |
8,17 |
| Proteínas |
8,30 |
13,45 |
10,89 |
| Carbohidratos |
9,70 |
14,18 |
12,04 |
| Amido |
2,56 |
6,63 |
4,55 |
| Glicose |
1,30 |
6,14 |
3,84 |
| Fibras |
14,96 |
19,95 |
16,96 |
COMPOSIÇÃO MINERAL EM 100
GRAMAS DE ERVA-MATE
|
Composição Mineral
(100 gramas) |
Valor
Mínimo |
Valor
Máximo |
Valor
Médio |
| Cinzas |
6,310 |
7,780 |
6,910 |
| Cloro (g) |
0,082 |
0,160 |
0,116 |
| Enxofre |
0,082 |
0,168 |
0,125 |
| Fósforo (g) |
0,074 |
0,214 |
0,120 |
| Cálcio |
0,597 |
0,824 |
0,668 |
| Magnésio (g) |
0,134 |
0,484 |
0,337 |
| Potássio (g) |
1,181 |
1,554 |
1,350 |
| Sódio (g) |
0,000 |
0,003 |
0,002 |
| Ferro (mgs) % |
--- |
94,000 |
59,900 |
| Cobre (mgs) |
0,600 |
1,600 |
1,260 |
| Manganês (mgs) |
30,200 |
183,000 |
133,180 |
COMPOSIÇÃO VITAMÍNICA EM 100
GRAMAS DE ERVA-MATE
| Valor Vitamínico (100 gramas) |
Valor Mínimo |
Valor Máximo |
Valor Médio |
| Carofina (mgs) |
0,639 |
2,267 |
1,234 |
| Carofina (em U.I. de vitamina A) |
1,065 |
3,779 |
2,095 |
| Tiamina (gammas) |
62,300 |
313,100 |
222,700 |
| Riboflavina |
246,000 |
573,900 |
404,300 |
| Ácido ascórbico |
8,200 |
20,700 |
11,900 |
Fonte: Valduga,
1995.
Os teores citados são em média, pois
podem ocorrer variações em função de: idade da planta e das folhas, erval nativo
ou plantado, luminosidade no erval. Este aspecto ainda é carente de informações,
sendo necessário mais estudos a este respeito, de maneira que no futuro possam
ser feitos plantios e colheitas específicas à cada interesse de
consumo.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA EM 1.000
GRAMAS DE MATE
colhidas e secas ao
ar
|
Componente |
Quantidade |
| Umidade |
104,600
g |
| Óleo essencial |
0,179
g |
| Stearopteno |
0,019
g |
| Substância cerácea gordurosa |
18,800
g |
| Clorofila e resina mole |
51,200
g |
| Matéria corante amarela-esverdeada |
10,800
g |
| Ácido resinoso |
84,500
g |
| Cafeína |
16,750
g |
| Princípio aromático (grupo de fenóis) |
2,500
g |
| Ácido matetânico |
44,975
g |
| Ácido viridínico cristalizado |
0,025
g |
| Matéria extrativa, substância amarga, etc. |
65,130
g |
| Substâncias albuminóides, gomosas, sais
inorgânicos |
36,102
g |
| Matéria extrativa, sacarina |
6,720
g |
| Celulose, lignina e outros |
687,900
g |
Fonte: TORQUES E ANDROCZEVECZ,
1997.
COMPOSIÇÃO QUÍMICA EM 1.000
GRAMAS DE MATE
de primeira qualidade,
existente no mercado
|
Componente |
Quantidade |
| Umidade |
146,453
g |
| Óleo essencial |
0,026
g |
| Cafeína pura |
5,520
g |
| Ácido resinoso |
25,500
g |
| Clorofila e resina mole |
6,102
g |
| Ácido mateínico puro (ácido matetânico) |
16,785
g |
| Ácido piro-mateínico |
1,465
g |
| Ácido viridínico cristalizado |
0,024
g |
| Substâncias gomosas, matéria extrativa, dextrina
etc. |
16,610
g |
| Matéria extrativa, sacarina ácido piroacético, derivado de
fenóis |
1,370
g |
| Sais inorgânicos (cinzas) |
56,212
g |
| Celulose, lignina e outros |
723,973
g |
Fonte: TORQUES E ANDROCZEVECZ,
1997.
INFLUÊNCIA DOS COMPONENTES
NAS CARACTERÍSTICAS ORGANOLÉPTICAS DA ERVA-MATE
|
Componente |
Características |
| Flavonóides |
Conferem o gosto adstringente ao mate |
| Alcalóides |
Propriedades estimulantes do mate |
| Aminoácidos |
Responsáveis pelo aroma (adstringência do
mate) |
| Vitaminas |
Valores nutritivos |
| Componentes voláteis |
Responsáveis pelo aroma característico do mate |
| Componentes minerais |
Valores nutritivos |
| Saponinas |
Responsável pelo índice de amargor e espuma do
produto |
| Clorofila |
Responsável pela coloração da erva-mate |
| Carotenóides |
Importantes na geração do aroma da erva-mate |
| Lipídios |
Importantes na geração do aroma da erva-mate |
| Ácidos orgânicos |
Importantes na geração do aroma da erva-mate |
| Proteínas |
Valores nutritivos |
| Celulose |
Não
apresenta característica organoléptica |
| Lignina |
Não
apresenta característica organoléptica |
| Enzimas |
Catalisadores durante o
processamento |
Fonte: TORQUES E ANDROCZEVECZ,
1997.
- Propriedades Terapêuticas
Segundo a literatura o mate é uma
bebida estimulante, elimina a fadiga, estimula a atividade física e mental,
atuando beneficamente sobre os nervos e músculos.
A cafeína exerce efeito sobre o
sistema nervoso central, estimulando o vigor mental. Com vitaminas do complexo
B, o mate participa do aproveitamento do açúcar nos músculos, nervos e atividade
cerebral do homem; vitaminas C e E agem como defesa orgânica e como benefício
sobre os tecidos do organismo; sais minerais, juntamente com a cafeína, ajudam o
trabalho cardíaco e a circulação do sangue, diminuindo a tensão arterial, pois a
cafeína atua como vasodilatador. Em tais situações também pode ser suprida a
sensação de fome.
O mate favorece a diurese, sendo de
grande utilidade nas moléstias de bexiga, atua também sobre o tubo digestivo
ativando os movimentos peristálticos, facilita a digestão, suaviza os embaraços
gástricos, favorecendo a evacuação e a mictação.
A ação estimulante do mate é mais
prolongada que a do café não deixando porém, efeitos colaterais ou residuais
como irritabilidade e insônia. Pesquisas do Instituto Pasteur de Paris atribuem
também ao mate um papel importantíssimo no processo de regeneração
celular.
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